Fratura em Mandíbula – Aspectos Radiográficos e Considerações Funcionais

O crânio é composto por duas partes: Neurocrânio e Viscerocrânio. O Neurocrânio compreende o revestimento ósseo do encéfalo e suas meninges. O Viscerocrânio, ou Esplancnocrânio compõe os ossos da face; uma das funções do Viscerocrânio é proteger o Neurocrânio, em virtude de seus componentes nobres.

 

A mandíbula, local de alicerce dos dentes do arco inferior, compreende o próprio terço móvel (e inferior) da face; trata-se de um osso impar pertencente ao Viscerocrânio, que comunica-se com a base do crânio através da Articulação Temporomandibular. Nesta edição, mostraremos como a ação dos músculos da mastigação (elevadores e abaixadores da mandíbula) pode influenciar no deslocamento de segmentos ósseos que sucedem uma fratura de mandíbula.

Os músculos elevadores têm origem tanto nos ósseos do Viscerocrânio quanto nos óssos do Neurocrânio. Todos eles inserem-se na mandíbula. São eles: Temporal, Masseter, Pterigoideo Lateral e Pterigoideo Medial.

 

Os músculos abaixadores/depressores da mandíbula compreendem a musculatura supra-hioidea – todos eles se inserem no osso hióide.

 

Resumidamente, podemos dizer que o ramo da mandíbula está sob influência do grupo dos músculos elevadores; toda a porção da mandíbula que compreende o bordo mais anterior do músculo masseter está submetida à ação dos músculos depressores da mandíbula.

 

Paciente do gênero masculino, 17 anos, com história de trauma envolvendo a face.

 

Vistas panorâmicas com filtro Angiosharpen 5X5 e em MIP (aparelho iCAT). É possível notar a solução de continuidade/fratura do processo coronóide da mandíbula do lado direito com deslocamento do mesmo em direção superior. Também é possível constatar a solução de continuidade/fratura do processo alveolar e corpo da mandíbula do lado esquerdo (fratura paramediana), com deslocamento dos segmentos no sentido supero-inferior. Clinicamente, observa-se maloclusão.

 

 

A ação dos músculos da mastigação (elevadores e abaixadores da mandíbula) faz com que ocorra o deslocamento dos segmentos ósseos. No esquema acima, verificamos que o segmento da região mentual (rosa) é deslocado em sentido inferior em virtude da ação dos músculos abaixadores da mandíbula. O segmento que correspondente ao terço posterior do corpo e ramo da mandíbula (verde) é deslocado para superior dada a ação dos músculos elevadores da mandíbula.

 

 

 

Com a fratura do processo coronóide da mandíbula, local de inserção do músculo temporal (elevador), o fragmento ósseo desloca-se para cima.

 

 

 

Referências Bibliográficas

 

-Wolosker AMB, Pereira MD, Borri ML in: Cabeça e Pescoço. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. Capítulo 9 (Trauma Craniofacial). Pags. 399-419

-Jorge WA. Odontologia Hospitalar: bucomaxilofacial, urgências odontológicas e primeiros socorros. Rio de Janeiro: Medbook, 2009. Capítulo 14 (Estudo Clínico e Tratamento das Fraturas Mandibulares). Pags. 637-650.

-Moore KL, Dalley AF. Anatomia Orientada para a Clínica, 5ª edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007. Capítulo 7 (Cabeça). Pags.820-963.

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