Tomografia computadorizada aplicada à Endodontia

Dizem que os olhos do endodontista estão na ponta dos dedos porque não é possível, clinicamente, observar a anatomia dental interna; mas é possível “senti-la”. Por esta razão, o endodontista precisa ter visão de raios X: as diversas etapas do tratamento endodôntico só podem ser avaliadas por meio de radiografias periapicais.
No entanto, toda e qualquer radiografia sempre nos mostrará uma projeção bidimensional de um corpo de três dimensões. Note a imagem a seguir: o pássaro – um corpo tridimensional -projeta sua sombra no solo: uma imagem bidimensional. Esta sombra seria o equivalente a uma projeção radiográfica. Olhando apenas para a sombra, você saberia dizer se o bico do pássaro é reto ou angulado?

Fonte: http://objetivocantabria.eldiariomontanes.es/fotos-JoaquindelHoyo/artistica/sombras...al-vuelo_2-653707.html

Fonte: http://objetivocantabria.eldiariomontanes.es/fotos-JoaquindelHoyo/artistica/sombras…al-vuelo_2-653707.html

Um objeto qualquer possui uma dada altura, uma certa espessura e uma profundidade tal. Os três planos seccionais do corpo humano nunca poderão ser observados de forma simultânea numa única projeção radiográfica. A Tomografia Computadorizada (TC) permite a observação simultânea dos planos seccionais e por esta razão, em algumas situações na prática endodôntica, o CD pode precisar de informações complementares que só podem ser alcançadas por meio da TC.

Talvez a indicação em maior evidência da TC na endodontia seja a pesquisa de fratura radicular. O termo usado em radiologia para descrever uma fratura, seja ela radicular ou óssea, é solução de continuidade, ou seja, a interrupção de um dado tecido, onde sua continuidade foi “dissolvida”.

Caso I – Avaliação de fratura radicular: Elemento 36

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Por meio desta radiografia periapical, observamos que o elemento 36 apresenta imagem radiolúcida compatível com rarefação periapical do tipo difusa, e que acomete parte da região perirradicular das raízes mesial e distal.

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Por meio dos cortes tomográficos, verificamos que o dente 36 apresenta uma evidente linha hipodensa que cruza a coroa no sentido mesio-distal e que se estende ao terço cervical da raiz distal: fratura dental (setas), não observada pela radiografia periapical.

Caso II – Pesquisa de fratura: elemento 14

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Por meio da radiografia periapical de pré-molares superiores do lado direito, vemos imagem radiolúcida difusa na região periapical de ambos os pré-molares superiores. O elemento 14 apresenta a projeção de duas raízes.

Por meio dos cortes tomográficos, verificamos fratura envolvendo a furca do elemento 14 (setas), não observada pela radiografia periapical. Por meio da TC verificamos, também, que a hipodensidade periapical estende-se ao longo de toda a região perirradicular, o que caracteriza comprometimento endo periodontal.
Outra indicação tomográfica em endodontia é a avaliação do sistema de condutos radiculares.

Caso III – Pesquisa de Canal acessório nas raízes do dente 16.

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Por meio de cortes tomográficos, verificamos que o elemento 16 apresenta um conduto acessório na raiz mésio vestibular, localizado palatalmente ao conduto principal (obturado). Nos cortes transversais, vemos o conduto principal da raiz mésio vestibular nos cortes nº 16 e 17 e o conduto acessório nos cortes nº 18 e 19.

 

Caso IV – Avaliação dos condutos das raízes do dente 36

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Podemos verificar que o elemento 36 apresenta duas raízes. A raiz mesial mostra seus condutos (vestibular e lingual) obturados; notamos adelgaçamento da face interna da raiz mesial (item M). A raiz distal também apresenta dois condutos, porém seu conduto lingual não está obturado (item C). Verificamos ainda, imagem hipodensa difusa na região periapical desta mesma raiz distal (item H).

 

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