Calcificações dos tecidos moles do Complexo Maxilo Facial – Parte II

Nesta edição do boletim informativo da Papaiz, continuaremos a abordar as calcificações mais frequentes que acometem os tecidos moles maxilo faciais
Alongamento do processo estilóide do osso temporal

O osso temporal – osso pertencente ao neurocrânio e que compõe, externamente parte da superfície lateral do crânio e internamente forma parte das fossas média e posterior da cavidade craniana – possui uma projeção no sentido ínfero-anterior, o processo estiloide, cujo comprimento normal mede de 2 a 3 cm e que pode alongar-se atingindo até 8 cm.

Imagem 1 Folha 1

Imagem mostrando no detalhe em verde, a superfície externa do osso temporal. Observar o seu processo estilóide. Fonte http://en.wikipedia.org/wiki/Temporal_bone

O processo estiloide do osso temporal dá origem, dentre outras estruturas, ao ligamento estilo-hioide que por sua vez conecta-se ao osso hioide. Este ligamento também pode mineralizar-se. Por meio das radiografias panorâmicas, vemos uma projeção óssea insinuando-se aos tecidos moles do espaço aéreo, em direção ao osso hioide. O alongamento do processo estiloide ocorre, na maioria das vezes, bilateralmente.

Imagem 2 Folha 2

Radiografia Panorâmica: Notar imagem radiopaca projetada à porção cartilagínea da orelha e ao espaço aéreo faríngeo bilateralmente; imagem compatível com alongamento do processo estiloide do osso temporal.

 

 

Imagem 3 Folha 3

Tele Radiografia em norma lateral: notar projeções radiopacas (entre ângulo da mandíbula e a coluna cervical) direcionadas ínfero-anteriormente, estendendo-se ao osso hióide: alongamento do processo estiloide do osso temporal.

 

 

 

Imagem 4 Folha 4

Cortes Tomográficos evidenciando projeção hiperdensa bilateral, de orientação oblíqua (corte coronal), em espaço carotídeo (corte axial), com direcionamento anterior inferior (corte sagital e reconstrução 3D) – Alongamento do processo estiloide do osso temporal, letra A.

 

 

O processo estiloide, dada sua trajetória ínfero-anterior, situa-se entre as artérias carótidas externa e interna (espaço carotídeo). A maioria dos casos de alongamento do processo estiloide costuma ser assintomática, entretanto um número reduzido de pacientes apresenta os sintomas da síndrome de Eagle. Nesta síndrome, há a compressão dos vasos sanguíneos ou nervos adjacentes (as artérias carótidas, como já citadas, além dos nervos trigêmeo, facial, glossofaríngeo e vago), o que causa sintomas como: dor facial (especialmente na deglutição), disfagia, disfonia (alteração na voz), otalgia, cefaleia e até sincopes.

Mineralização das Cartilagens Laríngeas
A laringe é o órgão que estabelece a comunicação entre a faringe e a traqueia de modo a constituir a passagem do ar para os pulmões, além de exercer função na fonação da voz. A laringe possui um esqueleto com nove cartilagens, algumas constituídas por cartilagem fibroelástica e outras formadas por cartilagem hialina; sabe-se que as cartilagens hialinas podem mineralizar-se ao longo do seu desenvolvimento, o que constitui um processo fisiológico. A cartilagem tireoide (de maior volume), assim como a cartilagem tritícea, são compostas por cartilagem hialina e quando mineralizadas podem ser observadas por meio dos exames de imagem.

Fonte: http://www.portaleducacao.com.br/medicina/artigos/8115/anatomia-da-laringe

Fonte: http://www.portaleducacao.com.br/medicina/artigos/8115/anatomia-da-laringe

Imagem 6 folha 7

Ateroma de Artéria Carótida

Sem dúvida, o ateroma de artéria carótida é a calcificação distrófica mais relevante entre as demais calcificações heterotópicas do complexo maxilo facial e cervical. Sua alta incidência, relação com um comprometimento sistemico grave, o Acidente Vascular Cerebral e o fato de serem observados através das radiografias panorâmicas e da Tomografia Computadorizada Cone Beam, tornaram o Ateroma de Artéria Carótida objeto de estudo de muitos trabalhos da literatura odontológica.
Confira a edição “Odontologia na prevenção do AVC: Ateroma de Artéria Carótida”
Obviamente, os exames de radiologia odontológica não proporcionam a mesma acuidade da ultrassonografia Doppler ou da angiografia (exames padrão ouro para o diagnóstico da ateromatose). No entanto, a observação de calcificações distróficas no espaço carotídeo e a correlação das mesmas com dados clínicos (senilidade, histórico familiar de AVC, tabagismo, etilismo, sedentarismo) implicam justificativa suficiente para o Cirurgião Dentista solicitar acompanhamento médico para a prevenção de um AVC.

Os cortes tomográficos axial e coronal mostram imagem hiperdensa de aspecto tubular em espaço carotídeo, lado direito, em proximidade com a cartilagem tireoide (mineralizada); imagem sugestiva de ateroma de artéria carótida, letra A.

Os cortes tomográficos axial e coronal mostram imagem hiperdensa de aspecto tubular em espaço carotídeo, lado direito, em proximidade com a cartilagem tireoide (mineralizada); imagem sugestiva de ateroma de artéria carótida, letra A.

 

Referencias Bibliográficas
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Ellis H; Logan BM; Dixon AK. Anatomia Humana Seccional: atlas de secções do corpo humano, imagens por TC e RM. 3. Ed. – São Paulo: Santos, 2010. Capítulo 2. Pag. 10-80
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