Os Seios Maxilares e sua relevância para o Cirurgião Dentista – Parte II

Na última edição do nosso boletim, abordamos os aspectos anatômicos e fisiológicos do seio maxilar, passando por uma citação das sinusopatias mais frequentes aos exames de Radiologia Odontológica. Nesta edição, você irá conferir as sinusopatias relacionadas ao Órgão Dental, tais como os processos inflamatórios/infecciosos, císticos/tumorais e ligadas ao trauma facial. Boa leitura!

Mucosite Periapical

Um processo inflamatório/infeccioso de origem dental, quando associado ao assoalho do seio maxilar, pode estimular uma resposta de defesa da membrana sinusal: um espessamento mucoso. O espessamento mucoso é sempre uma reação de defesa do seio maxilar, e embora seja observada com frequência, nem sempre possui uma etiologia clara. Porém, quando um espessamento mucoso é visto em associação com uma lesão odontogênica (seja um cisto apical ou uma lesão endo periodontal, por exemplo), denominamos de mucosite periapical. A mucosite periapical tende a regredir em função da intervenção odontológica frente à origem do agente inflamatório/infeccioso.

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Observar a região periapical do  25 : rarefação periapical circunscrita de aspecto cístico e associação com o espessamento mucoso no seio maxilar correspondente.

 

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Note a relação de contato do cisto periapical do dente 16 com o assoalho do seio maxilar; a resposta frente a este quadro é a instalação de um espessamento mucoso: mucosite periapical

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Neste caso, há um cisto periapical acometendo o dente 27 onde vemos um espessamento mucoso evidente associado: mucosite periapical. O assoalho do seio maxilar foi rompido (devido ao constante crescimento do cisto), caracterizando a comunicação entre o cisto periapical e o seio maxilar.

 

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Caso ilustrando uma reabsorção óssea (doença periodontal) como agente inflamatório responsável pela reação do seio maxilar: espessamento mucoso. A solução de continuidade (M) do assoalho do seio maxilar caracteriza a comunicação entre a lesão periodontal com o seio maxilar

 

Inflamatórios -Sinusites Odontogênicas

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(Legenda para as figuras anteriores – caso I )

Sinusite Odontogênica: Imagem de densidade aumentada no interior de toda extensão do seio maxilar do lado esquerdo, originária do dente 26. Vemos imagem hipodensa na região periapical e perirradicular dos dentes 25 e 26; segundo informações colhidas com o profissional, a hipodensidade representa área de manipulação cirúrgica do processo alveolar (remoção de cisto apical). Vemos rompimento do assoalho do seio maxilar o que caracteriza a porta de entrada da infecção odontogênica para o interior do seio maxilar.

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Lesões Odontogênicas Benignas em Maxila

O processo alveolar frequentemente pode ser acometido por uma grande variedade de lesões odontogênicas de desenvolvimento, ou seja, cistos ou tumores odontogênicos.

Os exames de Radiologia Odontológica constituem um importante aliado na avaliação da localização da lesão e dos componentes anatômicos comprometidos, a fim de se obter o planejamento cirúrgico. Muitas lesões assintomáticas são vistas primeiramente por uma radiografia panorâmica; posteriormente, a Tomografia Computadorizada deve ser solicitada para proporcionar observação mais acurada da lesão.

Sobre a interpretação radiográfica: maxila e mandíbula têm configurações anatômicas e microscópicas adversas (a primeira é mais esponjosa e menos densa ao passo que a segunda é mais compacta, portanto mais densa). Deste modo, não podemos esperar que as mesmas lesões tenham padrões radiográficos idênticos na maxila e mandíbula; ainda que mostrem aspectos radiográficos semelhantes, elaborar uma hipótese de diagnóstico de lesões em maxila constitui uma tarefa ainda mais desafiadora.

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Achado Radiográfico : As Setas amarelas indicam a presença de imagem radiopaca associada ao elemento 18, projetada ao seio maxilar direito, onde há pontos de calcificação no limite superior da lesão. Podemos notar abaulamento evidente do assoalho do seio maxilar.

Hipóteses de diagnóstico : Tumor Odontogênico Cístico Calcificante/Tumor Odontogênico Epitelial Calcificante.

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Incidência Radiográfica Panorâmica (achado radiográfico): Imagem radiolúcida de limites discretamente corticalizados ocupando praticamente toda extensão da hemi maxila à esquerda. No detalhe das radiografias periapicais, observa-se o comprometimento do processo alveolar correspondente e associação do elemento supranumerário presente. O assoalho do seio maxilar está, provavelmente, insuflado. Cisto Dentígero? Ameloblastoma?

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Legenda para as figuras anteriores (Caso I) – Imagem de densidade diferenciada ocupando o seio maxilar direito; há deslocamento do dente 18 que está associado à lesão. Há abaulamento do assoalho do seio maxilar assim como das paredes lateral e posterior. Hipóteses de diagnóstico : Ameloblastoma/Tumor Odontogênico/Cisto Dentígero

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Tumor Odontogênico Ceratocístico em Maxila – Imagem de densidade diferencia ocupando o seio maxilar do lado direito; notar destruição de grande parte da cavidade nasal e envolvimento das células etmoidais do mesmo lado. Há discreto abaulamento do assoalho da cavidade orbital e da parede lateral do seio maxilar também à direita.

 

O envolvimento do Seio Maxilar em Traumas de Face

O envolvimento das paredes dos seios maxilares é bastante frequente em traumas faciais; inclusive, a face tem uma função importante em um trauma frontal, que é dissipar as forças de um impacto de modo a proteger o neurocrânio. Obviamente não é via de regra, mas usualmente, o comprometimento das paredes dos seios maxilares é observado em fraturas Le Fort tipo II e III.

Quando um trauma é recente e compromete as paredes do seio maxilar, a imagem de densidade aumentada observada no seu interior pode ser característica de coleção sanguinolenta. Já em um trauma tardio se observa imagem de densidade aumentada no seio maxilar, sendo possível estarmos de frente a uma coleção purulenta.

Relembrando: uma fratura em radiologia é descrita como “solução de continuidade” de alguma estrutura anatômica

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Seta M – Indica solução de continuidade do assoalho da parede superior do seio maxilar/cavidade orbital do lado direito. Notar obliteração sinusal do mesmo lado associada.

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Lado direito : observar solução de continuidade com deslocamento de parte da parede lateral do seio maxilar direito para o interior da cavidade; há imagem de densidade aumentada/obliteração sinusal parcial associada no seu interior.

 

Referências Bibliográficas

-Gebrim EMS, Toyama C. Nariz e Seios Paranasais In : Gebrim SEM, Chammas MC, Gomes RLE : Radiologia e Diagnóstico por Imagem da Cabeça e Pescoço.  Rio de Janeiro, Ed. Guanabara Koogan, 2010. Capítulo 4. Pag. 173-221.

-Sales MAO, Moreira CR, Pinheiro LR, Cavalcanti MGP. Patologia – Lesões Benignas In : Cavalcanti MGP: Diagnóstico por Imagem da Face. 2. Ed – São Paulo : Santos, 2012. Capítulo 11. Pag. 331-394.

-Lawson W, Patel ZM, Lin FY. The development and pathologic processes that influence maxillary sinus pneumatization. Anat Rec, v291, n.11, p. 1154-63, 2008

– Miranda, Christiana Maia Nobre Rocha de et al. Variações anatômicas das cavidades paranasais à tomografia computadorizada multislice: o que procurar?.Radiol Bras [online]. 2011, vol.44, n.4 [cited  2014-11-18], pp. 256-262

-Ellis H; Logan BM; Dixon AK. Anatomia Humana Seccional: atlas de secções do corpo humano, imagens por TC e RM. 3. Ed. – São Paulo: Santos, 2010. Capítulo 2. Pag. 10-80

-Pasler FA. Dentogenic Sinus Pathology. In : Color Atlas of Dental Medicine – Radiology. Stuttgart : Thieme. Capítulo 3. Pag. 159-170

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