Radiografias Panorâmicas – Definições e indicações

A radiografia panorâmica é, por definição, uma técnica que permite a reprodução da maxila e mandíbula em um filme, com única exposição aos Raios X. Apesar de ter princípios de técnica que remontam quase 100 anos, ela possui um espectro de indicações e vantagens tão amplo que a tornam o exame complementar mais utilizado em Odontologia até os dias atuais.

A radiologia Médica e Odontológica evoluiu muito até alcançar o patamar dos dias atuais.

Tão logo ocorreu a descoberta dos Raios X, no ano de 1895, apenas cinco meses depois foi feita a primeira radiografia dental.

Os primeiros estudos e métodos relacionados à radiografia panorâmica datam da década de 1920 e. desde então, a técnica aperfeiçoou-se para se tornar o que conhecemos hoje.

A imagem a seguir mostra a capa do terceiro número da revista da American Dental Association, do ano de 1920, com o tema “Raios X na Prática Dental”.

Fonte: www.ada.org/centennial

Em alguns métodos antigos, a fonte emissora de Raios X era colocada dentro da cavidade bucal e o filme era mantido pelo próprio paciente, que o pressionava na face. Este método possuía um alto risco, pois, ao aquecer-se pela produção de Raios X, rotineiramente a ampola estourava dentro da boca do paciente.

Fonte: Radiologia Odontológica, Panella J. 2007 Guanabara Kogan, São Paulo – SP
Antigo aparelho de radiografia panorâmica – nota-se o posicionamento da ampola (intrabucal) e os filmes mantidos pelo próprio paciente.

Com o tempo, a melhora obtida na qualidade da imagem veio por meio dos avanços das marcas comerciais dos aparelhos. Saiu de cena o antigo filme analógico (convencional) e entraram os filmes dry (digitais, portanto, ecologicamente corretos). Os obsoletos sais de halogeneto de prata da composição dos filmes convencionais deram lugar aos pixels, que são os pequenos pontos que formam a imagem digital.

Os líquidos processadores (revelador e fixador) não fazem mais parte da obtenção das imagens digitais. O sensor digital reproduz instantaneamente a imagem logo após a sua aquisição.

A imagem digital só trouxe benefícios: melhor nitidez e fidedignidade, menor dose de exposição, descartando o processo de revelação da radiografia, o que favorece o meio ambiente. Além do que, a imagem digital pode ser armazenada, visualizada e enviada facilmente, de forma eletrônica, por meio de computadores.

Como já descrito, é possível mencionar uma vasta quantidade de itens que destacam as indicações da radiografia panorâmica.

A sua principal vantagem é a possibilidade de observação simultânea dos arcos dentais em uma película. Desta forma, pode-se ter uma vista global do status radiográfico da saúde bucal de um indivíduo, o que facilita o diagnóstico, planejamento e acompanhamento de cada caso. As especificações da radiografia panorâmica são muito abrangentes, envolvendo as especialidades cirúrgicas como a periodontia, implantodontia, cirurgia e traumatologia maxilo facial, além das especialidades que restauram a funcionalidade e estética oral, como a ortodontia, prótese e dentística. Por fim, mas não menos importante, o estudo das diversas patologias maxilomandibulares, podem se manifestar de forma silenciosa, sendo encontradas como que de forma acidental.

Ante a uma radiografia panorâmica, pode-se observar o grau de relação dos elementos presentes com o canal da mandíbula, com os seios maxilares e com a cavidade nasal. A Articulação Temporomandibular também pode ser inicialmente avaliada, apesar de não ser a técnica indicada para esta região anatômica.

A radiografia panorâmica também tem indicação na avaliação inicial de novos pacientes, de forma a documentar o status radiográfico: pré, trans e pós-tratamento. Constitui parte importante, não apenas no resguardo legal do profissional, mas também para registrar a evolução do paciente de acordo com os procedimentos adotados desde os momentos iniciais da relação paciente/profissional até a conclusão do tratamento.

Anatomia Maxilo Mandibular nas Radiografias Panorâmicas.

“Para quem desconhece anatomia, patologia torna-se adivinhação”.
Goaz et al.

Para se interpretar qualquer tipo de exame radiográfico é necessário sedimentar o conhecimento anatômico. Devemos levar em consideração que a radiografia panorâmica reproduz um corpo tridimensional em uma película de duas dimensões.

Fonte: Atlas de Radiografia Panorâmica para o Cirurgião Dentista; Capella e Oliveira, 2014. Gen Santos, São Paulo – SP

Planejamento Ortodôntico

Planejamento Ortodôntico/Estético: notar transposição de ambos os dentes caninos com os pré-molares superiores.

Planejamento Estético/Ortodôntico: notar anomalia de forma (macrodontia) no dente 11.

Planejamento Inicial em Implantodontia e Prótese Dental.

Avaliação Pós-operatória em Implantodontia.

Notar a posição ectópica do dente 33 (coroa em contato com a base da mandíbula).

Estudo Inicial em Periodontia (paciente de 19 anos).

Avaliação Inicial em Periodontia.

Achado Radiográfico para fins Endodônticos.

Notar dente 11 – Cisto Periapical.

No detalhe: Radiografia Periapical do dente 11.

Avaliação Pós-cirurgia Paraendodôntica.

Verificar a região periapical do dente 46 – imagem compatível com manipulação cirúrgica (remoção de lesão) e material de enxertia.

Planejamento Cirúrgico de exodontia de dentes não irrompidos.

Traumatologia: acompanhamento de fraturas maxilo mandibulares.

Notar solução de continuidade/fratura desde a incisura da mandíbula, ramo até o ângulo da mandíbula, do lado esquerdo; verificar solução de continuidade/fratura do processo alveolar na linha média, estendendo-se à base da mandíbula do lado direito.

Traumatologia: paciente de 58 anos com histórico de trauma na infância (queda de bicicleta). Notar os bordos posteriores do ramo da mandíbula, apresentando defeito ósseo bilateralmente.

Patologia: acompanhamento de pós-operatório de ameloblastoma em paciente de 19 anos, ramo da mandíbula, lado direito.

Achado Radiográfico: notar imagem radiolúcida unilocular associada ao dente 38, com lise do trígono retromolar e ramo da mandíbula, do lado esquerdo. Imagem compatível com cisto dentígero. Diagnóstico diferencial: Ameloblastoma.

Para finalizar, além de todas essas conveniências já citadas, outro aspecto positivo a ser destacado é a baixa dose de exposição para obtenção da radiografia panorâmica, o que se traduz na maior proteção ao paciente.

Via de regra, é sabido que os exames de imagem, em radiologia odontológica, possuem baixa dose de exposição aos Raios X.

Mas o quão baixa é esta dose de radiação?

A radiação emitida para se adquirir uma radiografia panorâmica é de aproximadamente 90 micro sieverts. A dose máxima permissível por ano é de cerca de 540 vezes o valor da dose de uma radiografia panorâmica (50.000 micro sieverts, segundo a Comissão Internacional de Proteção Radiológica). Lembrando que, a dose máxima permissível remete ao valor que o indivíduo pode receber de radiação, sem ser acometido pelos efeitos nocivos dos Raios X (*).

É evidente que o Cirurgião Dentista, sempre de forma cautelosa, prescreverá uma radiografia panorâmica de acordo com a indicação de cada paciente. E apesar da dose de radiação ser baixa, os métodos de proteção ao paciente e ao profissional são empregados de forma sistemática pela Papaiz Diagnósticos Odontológicos por Imagem.

(*) Fontes: Dosimetria, Zagatto E A, Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo, 1998 e http://www.convert-me.com/en/convert/radiation/.

Escrito Por: André Simões
Radiologista da Papaiz Diagnósticos Odontológicos por Imagem

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