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6/1/2010 - 10:57:25
Articulação têmporo Mandibular
Capella, LR; Papaiz, LF; Larosa, Paulo

 

O primeiro autor a estudar esta complexa juntura entre o osso temporal e a mandíbula foi Vesalius em 1543. Desta época até nossos dias muitos autores também a estudaram, porém gostaríamos de destacar Costen que iniciou seus estudos em 1934 publicando inúmeros trabalhos a respeito de disfunções desta articulação.

A articulação têmporo mandibular é uma articulação bi-lateral que se movimenta simultaneamente.

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É uma articulação altamente especializada e distingui-se das demais articulações porque as superfícies articulares não são recobertas por cartilagem hialina, mas sim por tecido fibroso avascular que contém células cartilaginosas, por isso também chamado de fibro cartilagem.

As superfícies articulares da articulação têmporo mandibular são representadas pela eminência articular que é uma saliência óssea constituída pela raiz transversa do arco zigomático, colocada anteriormente na fossa mandibular. Notamos nesta eminência articular, dois planos inclinados ou vertentes: a vertente anterior que se continua com o plano ósseo da fossa infra temporal, e a vertente posterior que se continua com a fossa mandibular e que na articulação está relacionada com a vertente anterior da cabeça da mandíbula.

A fossa mandibular é uma cavidade elipsóide, limitada pelo tubérculo articular anteriormente, pela porção timpânica do osso temporal posteriormente. É dividida em duas partes por uma fenda estreita, a fissura petro-timpânica (timpâno escamosa). A parte anterior é lisa e articular e a parte posterior rugosa e não articular.

O côndilo tem formação cilíndrica irregular, devido a uma ligeira inclinação do colo da mandíbula, porção estrangulada entre o côndilo e o ramo, a superfície articular do côndilo dirige-se para cima e anteriormente, e possui duas vertentes.

Fossa mandibular e côndilo

      vista externa                             vista interna

 disco articular é uma lâmina fibro cartilaginosa de forma elíptica situada entre o côndilo da mandíbula e a fossa mandibular do osso temporal, dividindo a cavidade articular em dois compartimentos. Sua face superior é côncavo-convexo para se adaptar à forma da fossa mandibular e a eminência articular. Sua face inferior, em contato com o côndilo, é côncava.

 

Foto do disco entre os ossos

Sua parte central é sempre mais delgada, que a periférica, com 1 mm de espessura (parte anterior com 3 à 4 mm e a posterior 4 à 5 mm).

O disco em toda sua margem, relaciona-se com a cápsula articular, anteriormente o disco e a cápsula fundem-se no que permite a inserção do feixe superior do músculo pterigoideo lateral, lateralmente e medialmente o disco e a cápsula estão fixadas independentemente nas partes lateral e medial do côndilo da mandíbula, posteriormente o disco e a cápsula estão unidos por um coxim de tecido conjuntivo frouxo vascularizado e inervado (coxim retro discal). Esta união frouxa da ao disco liberdade necessária permitindo o movimento anterior, no caso de protrusão e abaixamento da mandíbula.

O disco articular é avascular e sem inervação e tem a principal função de prolongar a fossa mandibular nos movimentos anteriores do côndilo da mandíbula estabelecendo concordância entre as superfícies articulares e funciona também como amortecedor de forças.

Os meios de união são representados pela cápsula articular e ligamentos. A cápsula articular tem uma membrana fibrosa que circunda a articulação. Possui fibras longas e espessas superficialmente que se estende de uma à outra superfície óssea. Outras fibras profundas e curtas que partem da superfície óssea e terminam nos bordos do disco articular.

A circunferência superior se insere anteriormente no bordo anterior da raiz transversa do processo zigomático, posteriormente na margem da fissura petro-timpânica (timpâno escamosa), lateralmente no tubérculo zigomático e raiz longitudinal do arco zigomático, medialmente, na base da espinha do osso esfenóide.

A circunferência inferior é mais estreita e se fixa em torno do colo da mandíbula. Posteriormente encontra-se mais abaixo do que na porção anterior.

A cápsula articular é delgada na maior parte de sua extensão principalmente na sua parte anterior onde temos a fusão do músculo pterigoídeo lateral com o disco articular.

A membrana é uma membrana conjuntiva que reveste a face interna da cápsula articular. Sua função é secretar um líquido lubrificante, que impede o atrito entre as superfícies articulares, o liquido sinovial.

Assim a cavidade articular passa a ser dividida pelo disco articular em duas cavidades sinoviais, uma superior ou supra meniscal e a outra inferior ou infra meniscal.

A inferior se fixa acima, no bordo do disco articular, e abaixo no colo do côndilo. A superior se estende desde o contorno da superfície articular do temporal onde a cápsula toma inserção ao contorno do disco. Não há membrana sinovial nas superfícies articulares.

Os ligamentos intrínsecos são aderidos intimamente à cápsula articular. Por isso algumas partes da cápsula são mais espessas.

O ligamento lateral ou têmporo mandibular, o que reforça por fora a cápsula articular, constitui o principal meio de união da articulação. Acima se insere no tubérculo zigomático e na borda inferior da raiz longitudinal do arco zigomático. Deste ponto se dirige obliquamente para baixo e para trás e vai fixar-se na parte póstero-lateral do colo da mandíbula.

O ligamento posterior ou freio "meniscal" são feixes de reforço que se inserem acima na parte anterior da fissura petro-timpânica e descem para se inserir posteriormente no colo do côndilo, este ligamento tem fibras curtas e profundas que se inserem na borda posterior do disco articular, e encontram-se em íntimo contato com o coxim retro discal.

Os ligamentos acessórios são em número de três e completam o sistema ligamentoso da articulação temporo mandibular.

O ligamento esfeno-mandibular se estende da base da base da espinha do esfenóide à lingula da mandíbula, onde se insere. Este ligamento segundo autores protegem vasos que passam por essa região.

O ligamento estilo-mandibular se estende desde o ápice do processo estilóide à borda posterior do ramo nas proximidades do ângulo da mandíbula. Este ligamento pode estar calcificado caracterizando a "sindrome de Eagle", visível nas radiografias panorâmicas.

O ligamento pterigo-mandibular ou rafe bucinato faringea se estende do hamulo pterigoídeo até o trígono retro molar.

Alem dos citados temos o ligamento maléolo discal. Este ligamento foi descrito por Pinto em 1962. A inserção do côndilo do martelo no ouvido médio se bifurca a nível ósseo, dando origem a um ligamento lateral que se dirige e se insere na cabeça da mandíbula.

A articulação temporo mandibular recebe inervação dos nervos aurículo temporal e masseterino e algumas vezes do nervo temporal profundo posterior, ramos do nervo trigêmeo, e a irrigação é feita por ramos das artérias temporal superficial, timpânica, meníngea média, auricular posterior, palatina ascendente e faríngea superior.

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