Avaliação Eletromiográfica de Paciente Portador de Maloclusão de Classe II, Div. 2 de Angle- Caso Clínico pré e Pós Tratamento
Filho,Luiz Altruda;Larossa, Paulo Ricado;Tessler, Mauro
SINOPSE
A eletromiografia foi utilizada para avaliar as condições da musculatura em repouso e esforços, antes e durante o tratamento de um paciente de um paciente classe II div. 2 de Angle.
Neste estudo, avaliou-se inicialmente movimentos mandibulares através da eletrognatografia, mensurado os desvios tridimensionalmente. Nesta fase, o mio-monitor (Tens) auxiliou no relaxamento dos músculos da mastigação, e associados ao eletrogna-tógrafo, permitiu determinar a posição miocêntrica para orientação e planejamento do tratamento, assim como a obtenção de um registro de resina acrílica ( Sapphire ) para construção de uma ortose.
Durante o tratamento, notou-se modificações neuro-musculares, com significativa diminuição da sintomatologia dolorosa através do uso da ortose por um período de 60 dias.j. bras . ortod. ortop. Maxilar nov./ dez./97.
ABSTRACT
Temporomandibular disorders ( TMDs ) can affect the form and function of the temporomandibular joint, masticatory muncles, and dental apparatus. Eletronic measurement of mandibular movement and masticatory muscle function provides objective data that are defined by commonly accepted parameters in pacients winth TMDs; these data can then be used to design and monitor therapy and enhance treatment therapy. Eletronic jaw tracking used to record mandibular movement and to compare the presenting and therapeutic dental occlusal positions.
Eletromyograhy was used to analyse the resting status of masticatory muscles and occlusal function at presentation and after therapeutic intervention. Tens therapy relaxed masticatory muscles and aided in the determination of a therapeutic occlusal position. j. bras. ortod. Ortop. Maxilar. Nov./dez./97
INTRODUÇÃO
As desordens temporomandibulares ( DTMs ) podem afetar a forma e a função das ATMs, músculos da mastigação e os dentes. A eletromiografia ( EMG ) e a eletrognatografia fornecem dados objetivos para o pacientes portadores de DTM; estes dados podem então ser usados para planejar e monitorar o tratamento.
A eletromiografia tem sido amplamente utilizada no diagnóstico clínico há mais de 40 anos. Originalmente foi utilizada pela neurofisiologia; o termo “eletromiografia” foi então usado como referência aos métodos empregados para registrar os potenciais de ação das fibras musculares de pacientes saudáveis e patológicos.
As condições hipertonicidade muscular resultam numa elevada atividade elétrica da musculatura efetada quando em repouso. O monitoramento dessa atividade através da eletromiografia ( EMG ) é uma forma insubstituível para ser verificar as condições fisiológicas do sistema estomatognático. Com esses exames, podemos confirmar quantitativamente o quanto a musculatura relaxou após o uso do mio-monitor, para em seguida realizarmos um registro oclusal com esses músculos fisiologicamente equilibrados.
Da mesma forma que as radiografias tornaram-se rotineiras como importantes meio de diagnóstico, a eletromiografia deverá seguir o mesmo caminho para diagnosticarmos as patologias neuromusculares.
Juntamente com a eletromiografia, a eletrognatografia participa de maneira precisa nos diagnóstico das disfunções temporomandibulares ( DTMs ). Utili-zando-se um sensor de altíssima precisão, captamos os movimentos mandibulares tridimensionalmente para que seja analisado não somente na musculatura, mas também as estruturas ósseas, ligamentos e oclusão.
O eletrognatógrafo registra a posição mandibular e seus respectivos movimentos através de um campo magnético criado por um magneto de 0,1 oz, temporariamente fixado na linha média dos incisivos centrais inferiores. Estes equipamentos capta os movimentos mandibulares com precisão de décimos de milímetros.
O eletromiógrafo, através de eletrodos bipolares de superfície, registra a atividade musculares em repouso das fibras anteriores e posteriores dos músculos temporais,massetes, digástricos ( supra- hóideos ). Estes músculos são avaliados bilateralmente e simultanea-mente, podendo ser estudados em qualquer etapa de tratamento:
A eletromiografia pode ainda ser realizada em esforços musculares máximo sobre a dentição normal, normal e outro com roletes de algodão molhados interpostos aos dentes posteriores, para eliminarmos os contatos proprioceptivos nocivos. Uma diminuição significativa da atividade muscular entre o registro feito com roletes e o exame realizado sem os mesmos, pode caracterizar uma oclusão patogênica.
Assim como a EMG em repouso, a EMG de esforços pode ser realizada trans e pós-tratamento, porém somente os músculos temporais anteriores e masseteres são avaliado, pois estes são os principais responsáveis pela elevação da mandíbula.
APRESENTAÇÃO DO CASO CLÍNICO Paciente portador de maloclusão classe II, div 2 de Angle, 46 anos de idade, com sintomatologia dolorosa na região temporal bilateral, massetérica, bilateral, frontal e cervical. ( fig.1 ).
No exame eletrognatográfico, constatou-se uma abertura máxima de 41,3mm, com deslocamento posterior dentro da normalidade de 26,9 mm, com a existência de “crossover” no terço final de fechamento, comum neste tipo de maloclusão. No plano frontal observou-se um desvio de lateralidade máxima de 2,7 mm para o lado esquerdo.
O módulo de velocidade apresentou-se dentro da normalidade ( abertura mais rápida que o fechamento), porém com uma ligeira alteração no final da abertura de boca, sugerindo uma disfunção intra-articular ( fig.2 ).
Ainda nesta fase, registrou-se uma dimensão vertical de repouso de 2,3 mm. Nesta condições, o paciente foi submetido ao exame de eletromiografia com eletrodos bipolares de superfície na região das fibras anteriores do m. temporal esquerdo ( LTA ),m. masseter esquerdo ( LMM ), m. máster direito ( RMM) , fibras anteriores do m.temporal direito ( RTA ), fibras posteriores do m. temporal esquerdo ( LTP ), m. digástrico esquerdo ( LDA ), m. digástrico direito ( RDA ) e fibras posteriores do m. temporal direito ( RTP ). Os mm. supra- hiódeos ( fig. 3 ).
Verificou-se uma hiperatividade das fibras anteriores dos mm. temporais, bem como do m. masseter direito. Notou-se aqui uma co-relação entre a hiperatividade muscular e a sintomatologia dolorosa relatada pelo paciente .Os demais músculos apresentavam-se em padrão de normalidade eletromiográfia. Este exame foi realizado paciente em posição de repouso mandibular, postado dentro dos padrões para exames eletromiográficos ( fig.4 )
Após o paciente ter sido submetido a 65 minutos de miotens de baixa freqüência – ULF, realizou-se novo exame eletromiógrafico, onde observa-se a queda da atividade eletromiográfica dos músculos avaliados, apresentando um melhor equilíbrio da ativiade muscular. ( fig 5 ).
Utilizando-se ainda o mio- monitor ( TENS ), o paciente foi submetido a novo dimensão vertical de repouso 4,9 mm, obtendo-se então um ganho de 2,6 mm. Nesta fase, determinou-se o ponto miocêntrico, a partir do qual foi tomado o registro desta nova DRV ( dimensão vertical de repouso ). Este registro foi obtido através de uma resina RAAQ ( Sapphire ) ( fig.6 )
Tomando-se este registro como referência, os modelos foram montados em articuladores semi-ajustável para a confecção de uma ortose ( fig.6 )
Após 60 dias de uso continuo da ortose, foi realizado novo exame de eletromiografia, onde observa-se uma acentuada queda dos índices eletromiográficos, com comprovado equilíbrio muscular (fig 7). O paciente relata ausência total da sintomatologia dolorosa antes existente.
CONCLUSÃO
O exame eletromiografico mostrou-se de grande eficiência no diagnóstico auxiliar e preventivo das disfunções que apresentam envolvimento da musculatura do sistema estomatognático. A associação dos resultados eletromiograficos como suporte de diagnóstico fornece ao profissional dados importantes para se alcançar os objetivos do tratamento, eliminando-se a dor, as disfunções, estabelecendo um relacionamento saudável entre dentes, ATMs e neuromusculatura.
Artigo Gentilmente cedidos para publicação pelos autores.